Assim nascem os textos... Sem avisar... Bater na porta, ou mandar recados... Não se mostram, apenas chegam, e chegando não findam... São perenes, reais e eternos...

Por: Beth Brito

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sábado, julho 10, 2010

Porta trecos



Hoje foi um dia estranho, cenário de muitas recordações...
Protagonista de um frio consolador... Pintei o quarto de azul... Fechei os olhos e viajei no meu céu...

Vi uma garota, 13, 14 anos, treinando vôley, suada, na posição de levantadora, a mais novinha e mais baixinha do time... Um salto extraordinário que a base de muito treino ela conquistou, cabelos amarrados com uma liga de meia-calça, e umas fivelas coloridas pra o cabelo não cair nos olhos... E duas joelheiras que ela adorava...Uma bicicleta brisa lilás, e fitas k7 da Legião Urbana pra ouvir nos intervalos com as outras colegas. Gostava de umas pulseiras de Hipie que ela ganhava sempre de uns amigos quando ia a Jampa, de um estilo meio que alternativo, mas nunca fumou, nem usou drogas. Sempre leu livros bacanas e tinha conversa e cérebro diferenciados das meninas da sua idade... Isso incomodava bastante porque fazia um tremendo sucesso com os meninos, não por ser uma Top, mas por conversar sobre coisas inteligentes e por ter um sorriso largo e livre de qualquer estigma de artificialidade... Gostava de ir a missa, antes de se tornar kardecista. Depois começou um cursinho de francês, mas, um aluno de Sertânia não a deixava concentrar no "R" e ela ria, ria muito dele cantando "Aline"... E o tempo bom passou tão rápido, e ela sofreu algumas lapidações muito interessantes... Abandonou o esporte que tanto gostava, porque não tinha vocação para Educação Física, trocou a bicicleta brisa por uma XTZ que adesivou de Rosa pink, e os K7s da Legião urbana, pelos consagrados mais novos na invenção da tecnologia: Os CDS da bossa nova que a mãe ouvia em vinil... Pois é, as trilhas, lama, cachoeira, amores, diversão, e o macacão cor-de-rosa... As poesias e prêmios que ja ganhou... Que saudade bateu, e ela chorou. Chorou quando abriu os olhos viu o teto branco, os livros de Administração, de Planejamento, o capacete em cima do guarda-roupas embalado, que recordação ímpar ele traz... E a melhor parte: Saber que um dia ela fui eu, e como era bom ser ela... Doce, pura, ingênua e feliz... Muito Feliz.

BEth Brito